Introdução
A cooperação entre organizações é um dos temas mais investigados hoje em dia na área da gestão, em parte, devido ao crescente reconhecimento da inovação como um processo conjunto de exploração de oportunidades e partilha de conhecimento. Os mercados são na sua essência redes de empresas conectadas entre si onde os seus intervenientes mobilizam competências, recursos e outros parceiros para participarem em projetos conjuntos, que podem ir desde o desenvolvimento de produtos à conceção de processos e à colaboração em I&D.
O progresso tecnológico, a inovação e o crescimento não dizem respeito a uma organização específica mas sim conjuntos de diferentes entidades, desde empresas já estabelecidas até às startups, e desde as universidades e institutos de investigação aos centros de incubação e parques de ciência e tecnologia.
Gerir a inovação é cada vez mais gerir redes de conhecimento, competências e atores. Neste artigo, e partindo do conceito de cluster, vou falar um pouco da sua relevância para a dinamização dos processos de inovação e para a competitividade das empresas e economias.
Redes de Cooperação
A revolução tecnológica que se tem assistido nos últimos anos reduziu as
fronteiras entre as empresas e facilitou o acesso e a partilha da informação entre todos. Como
consequência, os mercados tornaram-se mais conhecedores dos produtos e serviços
das empresas, o que fez com que a sua exigência aumentasse. As organizações,
por sua vez, vão reconhecendo a importância de não apenas aceder ao
conhecimento externo como também encontrar formas de o combinar com os meios
internos e incorporá-los, de forma ágil, nas suas ofertas, processos e pessoas.
Mas a revolução tecnológica trouxe também um aumento da complexidade dos
processos de inovação, o que fez com que muitas empresas começassem a formar
redes de cooperação para poderem partilhar competências, aceder a novos
mercados e desenvolver projetos em conjunto. Em vez de pensarmos nas empresas
como agentes isolados, é mais interessante olharmos para estas como nodos de
uma rede mais alargada onde os seus intervenientes influenciam e são
influenciados através dos seus relacionamentos.
Nenhuma empresa, independentemente da sua dimensão ou carteira de clientes,
consegue sobreviver exclusivamente com os seus recursos próprios. E mesmo que o
conseguisse, não seria eficiente. Pela sua natureza, a inovação é um processo
colaborativo de descoberta e exploração conjunta. Em alguns casos, as empresas
tentam aceder a fontes externas de conhecimento, noutros tiram partido do
seu know-how com outras organizações. E, ainda noutros,
juntam-se para em conjunto darem início à descoberta e exploração de novos
horizontes.
Clusters
Vimos que as redes de cooperação são hoje uma realidade bem assente no
tecido empresarial, onde as organizações procuram criar entre si
relacionamentos colaborativos para em conjunto chegarem onde não conseguiriam
individualmente.
Com o progressivo reconhecimento da importância das redes de
relacionamentos e da inovação como um processo conjunto, têm se formado nos
últimos anos pequenas concentrações de empresas, normalmente designadas
por clusters, que procuram tirar partido das vantagens inerentes à
cooperação em rede.
Um cluster é uma aglomeração geográfica de empresas,
atividades, instituições e serviços interligados entre si que estão associados
à partilha e utilização comum de infraestruturas, bem como à exploração de
complementaridades. No fim, correspondem a redes mais ou menos alargadas de
estruturas empresariais mas fortemente interdependentes num processo ou cadeia
de criação conjunta e cumulativa de valor.
Tipicamente, os clusters não tem necessariamente uma
fronteira pré-definida e podem ir mais além do que um simples grupo de empresas
do mesmo setor. É possível encontrar várias empresas de áreas distintas e
complementares, e de diferentes segmentos da cadeia de valor. Ainda assim, de
maneira geral, os clusters estão mais associados a
concentrações de empresas da mesma indústria ou setor de atividade.
Porém, um dos principais aspetos da dinâmica dos clusters é
precisamente a oportunidade de juntar várias empresas de diferentes áreas que,
em conjunto, podem desenvolver projetos de raíz e abraçar novas ideias que de
outra forma não seria possível. São criados estímulos ao desenvolvimento de
economias de aglomeração que resultam de todas as interações entre os
intervenientes, e que além de soluções concretas geram também novas
competências que podem ser utilizadas por todos os intervenientes em projetos
futuros ou nos projetos individuais de cada empresa.
Nos clusters concorre-se cooperando, uma noção normalmente designada por
coopetição (concorrência + cooperação). Mais do que os contributos individuais
de cada empresa, o principal aspeto dos clusters é a possibilidade das empresas
envolvidas cooperarem em si em projetos conjuntos, que podem ir de pequenos
desenvolvimentos de novos produtos até grandes projetos de I&D que resultam
em soluções complexas e bastante avançadas do ponto de vista tecnológico.
Esta é a visão base que está associada ao conceito de cluster:
a forma como funcionam em rede e os relacionamentos estabelecidos entre as
várias estruturas são os verdadeiros estimuladores da geração de valor para o
mercado através da cooperação. Por outras palavras, não é a localização
geográfica ou a proximidade que são o fator mais importante, mas sim a
interação entre todos.
Reconhecimentos dos Clusters para a Competitividade
Os clusters são uma forma das empresas juntarem
recursos, know-how tecnológico e outras competências para, em
conjunto, conseguirem desenvolver novas soluções e penetrar em novos mercados.
Em virtude disto, os clusters têm um papel muito importante
para melhorar a competitividade das empresas e, a um nível mais macro, dos
setores de atividade e da economia em geral.
Com consequências a nível micro e macroeconómico, a clusterização sugere
que pode ser extremamente relevante que a política pública tenha em
consideração a importância estratégica de fomentar a criação de clusters nas
mais diferentes áreas de atividade.
Ainda que haja disponibilidade por parte de um conjunto de entidades em
formar um cluster, é importante que o Estado crie políticas
de clusterização e oriente todo o processo de formação, sempre
com o intuito de promover a inovação e a partilha de conhecimento, e dando
liberdade suficiente às organizações para desenvolverem as suas atividades.
A política pública não deve funcionar como um inibidor do processo mas sim
como um acelerador dos relacionamentos cooperativos entre as organizações,
garantindo o correto funcionamento do cluster e apoiando
naquilo que for necessário. É importante que ela crie condições favoráveis ao
crescimento e inovação, à transferência de tecnologia e ao progresso
científico. Mas para isso acontecer, importa garantir um ajustamento adequado
entre as suas intervenções e as dinâmicas organizacionais do cluster.
Nalgumas situações, o cluster pode funcionar melhor sem a
necessidade de grande envolvimento da política pública; noutras, o Estado
poderá ter de assumir um papel mais interventivo para garantir o
desenvolvimento sustentável das empresas e do cluster como um
todo. O desafio passa por perceber o quão relevante é a necessidade de
intervenção da política pública na atividade do cluster e como
é que ela pode contribuir, em termos empresariais e económicos, para o
crescimento.
Cooperação baseada em Clusters
Num mundo onde as empresas sabem que a concorrência é cada vez mais intensa, a cooperação assume um papel preponderante não só para dar resposta a mercados mais exigentes como também ao ambiente de constante transformação em que vivemos.
A obtenção de vantagens competitivas depende cada vez mais da capacidade de estabelecer e gerir relacionamentos em contexto de rede. Os clusters surgem como uma forma de cooperação que permite agregar diferentes parceiros e competências para um propósito comum, partilhando recursos, criando oportunidades e ultrapassando desafios em conjunto.
Mas tal como um projeto entre duas empresas, é preciso garantir o equilíbrio do cluster. O Estado pode ter aqui um papel preponderante, porém, é necessário identificar até que ponto e em que medida é que deverá ocorrer a sua intervenção. O importante é garantir o contínuo desenvolvimento do cluster, e como consequência, de todos os seus membros, fomentando o espírito de partilha e cooperação e estimulando o aproveitamento de oportunidades à escala nacional e internacional.